Arquivo de Junho de 2008

Ovinagre mais caro da história - Parte II

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Fonte: Revista Exame
Por Tiago Lethbridge

The Billionaire’s Vinegar
Crown Publishers, 319 págs.
Autor: Benjamin Wallace

“As garrafas de Thomas Jefferson foram o grande exemplo de como as pessoas se tornam sugestionáveis quando o assunto é vinho. Vários ícones do mundo do vinho foram afetados pela fraude”

Havia, porém, uma nuvem de mistério envolvendo Rodenstock e suas degustações. Os garçons nunca deixavam a rolha dos vinhos antigos na mesa. Algumas das raridades vendidas por ele não poderiam ter existido (ele alegava ter encontrado garrafas grandes de Château Pétrus de uma safra em que o castelo não produziu garrafas grandes, por exemplo). As fontes de seus achados nunca eram reveladas. Para aumentar a desconfiança, um de seus amigos, o comerciante William Sokolin, comprou uma das garrafas jeffersonianas e, num episódio bizarro, deixou a garrafa quebrar em seu colo no meio de um jantar. Pareceu de propósito. Recebeu 212 000 dólares de seguro. Seriam Rodenstock e seus amigos uma fraude completa?

Aos poucos, a autenticidade de seus vinhos começou a ser formalmente questionada. Em 1985, logo após o leilão do Château Lafite 1787, a fundação responsável por administrar o museu de Thomas Jefferson lançou dúvidas quanto à sua procedência. Não havia nenhum registro do rótulo entre as posses do estadista americano — e o homem costumava registrar tudo. Embriagados pelos vinhos gratuitos oferecidos por Rodenstock, porém, os especialistas ignoraram as acusações. Até que o alemão Hans-Peter Frericks, um dos compradores das garrafas de Thomas Jefferson, tentou leiloá-las na Sotheby’s, maior concorrente da Christie’s. O especialista da casa de leilões analisou a adega e constatou que diversas garrafas tinham grande probabilidade de ser falsificadas. Numa atitude rara, a Sotheby’s recusou-se a leiloá-las. Intrigado, o vendedor decidiu enviar as garrafas de Thomas Jefferson a um laboratório. A análise da bebida indicou que o vinho era, provavelmente, da década de 60 — mas do século 20, não do 18. A reputação de Rodenstock começava a desmoronar.

O alemão retrucou dizendo que o conteúdo da garrafa analisada havia sido adulterado e que um complô estava sendo orquestrado contra ele. Foi quando William Koch, o bilionário que pagara 500 000 dólares por quatro garrafas jeffersonianas, decidiu investigar seu lote. Intrigado com as especulações acerca da procedência dos vinhos de Rodenstock, Koch contratou um ex-investigador do FBI para tirar a prova. Começou, então, uma busca por provas contra o vendedor alemão. Logo o araponga descobriu que até o nome de Rodenstock era falso. Ele chamava-se, na verdade, Meinard Görke. A prova final da fraude veio quando os investigadores de Koch analisaram a inscrição das iniciais de Thomas Jefferson gravadas na garrafa. Percebeu-se que só poderiam ter sido feitas por um aparelho moderno. Talvez até uma broca de dentista. Com as conclusões da investigação em mãos, Koch moveu um processo contra Rodenstock-Görke e outros comerciantes de vinhos antigos. O caso ainda não foi resolvido, mas alguns dos principais nomes do mundo do vinho saíram chamuscados do episódio. A casa de leilões Christie’s, responsável por vender as garrafas de Thomas Jefferson, foi acusada de conluio com Rodenstock. O mais impressionante é que críticos como a inglesa Jancis Robinson e o americano Robert Parker simplesmente não perceberam que bebiam vinhos adulterados. “As garrafas de Jefferson foram o grande exemplo de como as pessoas se tornam sugestionáveis quando o assunto é vinho”, escreve Wallace. Talvez a grande fraude, portanto, não seja a bebida.

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O vinagre mais caro da história - Parte I

Fonte: Revista Exame
Por Tiago Lethbridge

Nos anos 80, mais de dez garrafas de vinho do século 18 foram vendidas por centenas de milhares de dólares cada uma. Detalhe: eram todas falsas

Assim como o atletismo, a falsificação de vinho é um esporte antigo e com diversas modalidades. A mais tradicional delas é a troca de rótulo pura e simples, que começou na Roma Antiga. Os fraudadores estampavam vinhos diversos com o selo da região de Pompéia, uma espécie de Bordeaux da época. A prática atravessou os séculos. Um dos casos mais famosos aconteceu durante a Segunda Guerra, quando o glutão nazista Hermann Goering, braço direito de Adolf Hitler, encomendou caixas de Mouton para seus jantares. Os orgulhosos franceses colocaram os rótulos certos nas garrafas erradas, e Goering bebeu vinhos ordinários achando que eram o néctar dos deuses. Uma variação dessa modalidade é a troca do conteúdo. O falsário bebe o vinho caro, enche a garrafa com um baratinho, passa adiante e embolsa a diferença. Outra adulteração clássica é o aquecimento do vinho a fim de acelerar seu envelhecimento. Na segunda metade do século 20, a falsificação de vinhos começou a ganhar sofisticação — e a técnica atingiu seu apogeu em 1985, quando uma garrafa de Château Lafite da longínqua safra de 1787 foi vendida por 156 000 dólares. Foi a garrafa de vinho mais cara da história, um recorde ainda a ser batido. Por quase 20 anos, foi considerada autêntica, um testemunho da longevidade de um dos melhores vinhos do mundo. Mas se tratava de uma fraude completa. A história está contada no excelente The Billionaire’s Vinegar (“O vinagre do bilionário”, numa tradução livre), do jornalista americano Benjamin Wallace.

O Lafite 1787 fez parte do conjunto de garrafas mais famoso do século 20, formado por vinhos que teriam pertencido ao americano Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos. Nos anos anteriores à Revolução Francesa, Jefferson serviu como embaixador em Paris. Acabou se tornando o primeiro enófilo americano. Ele comprava caixas dos ícones da região de Bordeaux (sua favorita) e acumulava os vinhos em sua adega. Como escrevia freqüentemente sobre os vinhos que bebia e comprava, sua paixão ficou gravada na história. Encontrar uma garrafa que pertenceu a Jefferson passou a ser considerado uma espécie de busca ao cálice sagrado dos aficionados de vinhos antigos. Além do caráter histórico, beber um exemplar do fim do século 18 seria uma chance única de experimentar um vinho produzido antes da praga que arrasou as plantações de vinhedos franceses no século seguinte. As garrafas vendidas nos anos 80 tinham a inscrição de suas iniciais (Th.J.). Além do Lafite vendido ao bilionário americano Malcolm Forbes num leilão da Christie’s, quatro garrafas foram parar nas mãos do não menos bilionário William Koch. Ele pagou 500 000 dólares pelo conjunto. Outros exemplares com as iniciais de Thomas Jefferson foram vendidos em leilões ou em lojas especializadas.

O mercado de vinhos antigos praticamente inexistia até que a Christie’s entrou no circuito, nos anos 70. Só assim foi possível amenizar o drama da autenticidade: com a chancela da casa de leilões, as suspeitas dos compradores diminuíram e as vendas decolaram. O executivo Michael Broadbent, um fanático que catalogou 85 000 avaliações de vinhos, foi o responsável por encontrar adegas antigas para a Christie’s e garantir sua procedência. Após Broadbent fuçar em castelos e mansões da aristocracia européia, as velhas adegas começaram a rarear. Foi quando apareceu um misterioso alemão chamado Hardy Rodenstock. Ex-produtor musical, Rodenstock espantou o mundo do vinho ao anunciar a descoberta de uma adega repleta de vinhos que haviam pertencido a Thomas Jefferson. Segundo ele, os exemplares haviam sido encontrados em Paris — quem pedia mais detalhes obtinha respostas vagas. O alemão procurou Broadbent em busca da confirmação da origem dos vinhos. Conseguiu. Em seguida, a Christie’s organizou o leilão do Lafite 1787. E Rodenstock tornou-se uma estrela.

Por quase duas décadas, o alemão manteve seu status de celebridade. Rodenstock organizava megadegustações, em que centenas de vinhos raros eram oferecidos a um pequeno grupo de privilegiados. Talvez sua popularidade seja explicada pelo fato de que proporcionava esses eventos e não cobrava um centavo sequer. Os mais famosos foram as degustações verticais, em que eram bebidas dezenas de safras de um mesmo vinho. Em algumas delas, Rodenstock abria uma garrafa de Jefferson, para júbilo dos comensais. Os narizes mais importantes do mundo do vinho compareciam e rasgavam elogios ao alemão. O conceituado crítico americano Robert Parker disse que “sua paixão pela história do vinho é irrefutável”. Seu prestígio era tão grande que a célebre fabricante de taças Riedel permitiu que Rodenstock desenhasse uma taça exclusiva para a degustação do Château D’Yquem, o incomparável branco doce de Bordeaux. O brilho no mundo dos vinhos raros deu a ele acesso à alta sociedade européia. Um de seus amigos era o príncipe Albert, de Mônaco.

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Bebê de Camila Alves pode ter nome de cerveja

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Fonte: Divirta-se - Simone de Castro - Aqui

Camila Alves (foto), a modelo brasileira que está grávida do ator norte-americano Matthew McConaughey, pode estar à espera de um menino. A princípio o casal não queria saber o sexo do primeiro filho, mas parece que mudou de idéia. Eles não confirmam oficialmente o sexo da criança mas, no fim de semana, eles realizaram um chá de bebê e os convidados levaram presentes embrulhados em papel azul.

Se for mesmo um menino, o ator pretende batizá-lo com o nome de sua cerveja favorita. Assim, o menino será chamado Bud. Amigos próximos acham muito difícil que Camila aceite.

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A Anheuser-Busch e Grupo Modelo, em conversações para uma eventual empate-up

Em uma tentativa de dissuadir uma OPA não solicitada a partir da InBev, cerveja Anheuser-Busch tem realizado discussões preliminares com o Grupo Modelo para um provável empate-up.

A Anheuser-Busch detém 50% do Grupo Modelo, mas não tem nenhum papel na gestão da empresa.

Os analistas são da opinião de que a Anheuser-Busch pretende adquirir a outra metade do Grupo Modelo.
Com isso, irá tornar a companhia demasiadamente cara, fugindo de uma proposta de compra hostil de parte da Inbev.

A InBev tem proposto, para a aquisição de Anheuser-Busch, US $ 65 por ação, o que valoriza a cervejeira em US $ 46,4 bilhões.

Em resposta à oferta, a Anheuser-Busch disse que seu conselho de administração irá avaliar cuidadosamente a oferta e prosseguir o curso de ação que melhor interesse aos acionistas da Companhia.

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Licor de Café Illy

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A famosa marca de café Illy anunciou associação com Grupo Campari para lançar a sua marca de licor café sob o nome de “Illyquore”.

O licor promete um sabor especial, com base na receita da Illy, e teor alcoólico de 28% por unidade de volume.

O lançamento será em Julho para os italianos e em 2008 para os demais países.

Todos os direitos pertencerão à marca Illycaffé enquanto a Campari será responsável pela distribuição.

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Austríacos que marcarem gol na Eurocopa terão “cerveja vitalícia”

Fonte: Efe, em Viena

A cervejaria austríaca Ottakringer anunciou nesta terça-feira que cada jogador da seleção do país que marcar pelo menos um gol na Eurocopa-2008, da qual a Áustria é co-anfitriã ao lado da Suíça, receberá cerveja de graça por toda a vida.

Com esta oferta, a empresa de Viena espera incentivar a equipe a conseguir bons resultados no grupo B do torneio, que ainda conta com Croácia, Alemanha e Polônia. Os jogadores estrearam com uma derrota por 1 a 0 para a Croácia.

A Áustria joga com a Polônia na próxima quinta e encerra sua participação na primeira fase diante da Alemanha, no dia 16. As duas partidas serão disputadas no estádio Ernst Happel, na capital austríaca.

“Talvez a motivação seja o fator decisivo que falta para nossa equipe começar a vencer”, disse o presidente da Ottakringer, Sigi Menz.

“Se nossa cerveja ajudar, entregarei pessoalmente o primeiro carregamento anual ao jogador que fizer um gol”, comentou o diretor da empresa.

Atualmente, o consumo per capita de cerveja na Áustria é de 108,2 litros por ano.

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Seleção Portuguesa no berço da bebida proibida: o absinto

Fonte: http://www.maisfutebol.iol.pt/maiseuro/
Vítor Hugo Alvarenga enviado-especial à Suíça

Texto publicado em Português (Portugal)

A Selecção Nacional ocupou Neuchatel durante o Campeonato da Europa de 2008 e pintou a cidade de verde e vermelho. Respira-se futebol de forma ininterrupta, mas sabe bem alargar as vistas e perceber o que nos rodeia. A Suíça é conotada com relógios, chocolates e bancos, mas importa explicar que aqui, bem perto de Neuchatel, podemos encontrar o berço de uma bebida polémica: o absinto.

Bebida apreciada por portugueses e não só, o absinto ganhou forma no Val-de-Travers, distrito do cantão de Neuchatel. Os locais garantem que o micro-clima da região apura a qualidade dos ingredientes. Vamos então, para desenjoar de futebol por momentos, falar de uma fórmula que ajudou a levar génios como Van Gogh à loucura.

Existem relatos pouco claros da utilização da planta no Antigo Egipto e na Grécia Antiga, mas o registo histórico do absinto ganhou forma na Suíça. Em 1769, um jornal de Val-de-Travers divulgava o anúncio das Irmãs Henriod, sobre um exilir medicinal baptizado como «Bon Extrait d’Absinthe».

A fórmula mágica prometia curar vários males. Alguns estudiosos garantem que foi o médico francês Pierre Ordinaire a criar o absinto, passando depois o segredo às Irmãs Henriod. Depois, o Major Dubied comprou a receita e formou a primeira destilaria, em Couvet.

A bebida na história da Belle Époque

Val-de-Travers situa-se entre Neuchatel, quartel-general da Selecção Nacional, e a França. Foi nesse país, aliás, que o absinto ganhou popularidade, sobretudo entre os artistas da época. Aliás, durante a Belle Époque, período criativo que impulsionou massas até à I Guerra Mundial, em 1914.

Os boémios da época experimentaram o absinto para lá dos seus anunciados efeitos medicinais e transpuseram fronteiras. A «Fada Verde», como a bebida é conhecida, caiu no goto de artistas e intelectuais como Óscar Wilde, Baudelaire, Rimbaud ou Vincent Van Gogh.

Manet, Raffaeli e Picasso também apresentaram pinturas a retratar o absinto, mas Van Gogh foi mais longe. Entre várias teorias para a sua loucura, uma diz que o pintor holandês, radicado em Paris, estava sob o efeito da «Fada Verde» quando decidiu cortar um pedaço da orelha esquerda, em Dezembro de 1888.

Uma proibição de quase cem anos

O temor pelo carácter alucinatório do absinto espalhou-se rapidamente pelo Mundo. Os críticos falavam em dependência de milhões de pessoas. Voltando à Suíça, berço da bebida e sede do Euro2008, a história conheceu contornos polémicos em 1910, quando surge a lei a proibir a comercialização do produto. Aliás, o mesmo acontecia um pouco por todo o lado.

A proibição arrastou-se durante quase um século, até 2005. Nos últimos três anos, as destilarias de Val-de-Travers voltaram a produzir absinto de forma legal (algumas nunca o deixaram de fazer, conforme nos explicou Claude-Alain Bugnon, da destinaria Artemisia). Ali nas montanhas, a bebida misteriosa surge em condições excepcionais. Cá em baixo, junto ao fabuloso lago de Neuchatel, a Selecção Nacional procura evitar pecados e trilhar caminho no Euro.

Em nossa loja:

Absinto Pere Kermann´s 700ml (Francês) R$ 63,00

Absinto Valverde 700ml (Brasil) R$ 32,55

Absinto Lautrec 670ml (Brasil) R$ 32,55

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Vinícolas levam um milhão de turistas à Argentina

da Efe, em Buenos Aires

Cerca de um milhão de pessoas visitaram no ano passado as adegas da Argentina, quinto produtor e décimo exportador de vinho do mundo, atraídas pela crescente fama das marcas do país. Entre os turistas, os brasileiros aparecem com destaque.

Atualmente, de um total de 600 adegas que operam no país, 152 aproveitam o turismo como uma forma de negócios com futuro promissor.

“O turismo relacionado ao vinho começou a decolar com vigor há cerca de cinco anos. Há uma década, era impensável que uma adega cogitasse a possibilidade de receber visitantes”, diz María Belém Gaua, coordenadora da Comissão Nacional de Turismo Vitivinícola de Adegas da Argentina.

Após a crise econômica de 2001, com a chegada em massa de turistas ao país, as adegas começaram a capacitar pessoal e montar infra-estrutura para receber turistas.

“É um fenômeno que não pára de crescer. Para este ano, esperamos um aumento de 40% no número de visitantes para as adegas”, afirmou Gaua.

Segundo um recente relatório da Adegas Argentinas, o turismo pelos “caminhos do vinho” no país cresceu 118% em 2007, número consideravelmente maior que a alta de 21% no total de turistas que visitaram a Argentina no ano passado.

Dos enoturistas, 39% são estrangeiros, principalmente de Brasil, Estados Unidos, Canadá, Chile e Reino Unido, países nos quais o vinho argentino está adquirindo uma boa fama.

O relatório revela que o perfil do enoturista médio é: sexo feminino, jovem e ávido por conhecer de perto o fascinante mundo da bebida de Baco.

Além disso, apenas 27% dos visitantes já estão envolvidos no sofisticado clube dos amantes do vinho, o que revela que a grande maioria escolhe percorrer uma adega como uma opção a mais de lazer entre as tantas oferecidas pelas oito províncias produtoras da bebida.

“A maior parte dos turistas vem para aprender sobre o mundo dos vinhos, algo que está gerando um interesse crescente. Não são especialistas com conhecimentos anteriores, mas de gente com curiosidade para aprender”, declara Gaua.

Algumas adegas hospedam os turistas em antigos casarões e granjas restauradas, nas quais se pode saborear pratos regionais e, é claro, provar os melhores vinhos.

Mendoza

A província de Mendoza, a maior produtora do país, mantém a liderança em quantidade de turistas que realizam os caminhos do vinho.

Nela está localizada a Familia Zuccardi, a única adega argentina distinta com “Experiência relevante em turismo vitivinícola” em nível mundial pela rede global das Grandes Capitais do Vinho, que reúne as oito capitais internacionais do vinho, dentre as quais aparece Mendoza.

Cerca de 50 mil pessoas, 53% estrangeiras, visitaram no ano passado as adegas Zuccardi em Mendoza.

“Abrimos nossas portas para o turismo desde 2001. Buscamos fazer as pessoas experimentarem o que é o trabalho nos vinhedos e conhecerem cada passo da elaboração dos vinhos. E, como lucro, conseguimos uma maior fidelidade dos consumidores com nossas marcas”, afirma o diretor de relações institucionais do grupo, Sebastián Alén Guichón.

A oferta de atividades da adega inclui desde visitas aos vinhedos até programas para participar da vindima (colheita da uva) ou da poda das vinhas, incluindo um romântico passeio saboreando um bom champanhe.

Outra das adegas mais visitadas é a Norton, também em Mendoza, que em 2007 recebeu 20 mil turistas e para este ano espera aproximadamente 30 mil.

“Existem dois tipos de público: os que não possuem nenhum conhecimento de vinhos e os que, com uma base, buscam aprofundar os conhecimentos que possuem. Ambos chegam ávidos para compartilhar experiências com o vinho e seus produtores”, disse Martín Uriburu, gerente de relações públicas e turismo da adega Norton.

A visita clássica é a guiada pelos vinhedos, acompanhada por uma imponente vista à cordilheira dos Andes e, na primavera e verão, por um piquenique nos jardins da adega.

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Pesquisa inédita aponta viabilidade da produção de vinho em São Paulo

O Estado de São Paulo teria potencial para produzir 94 milhões de litros/ano de vinho se destinasse toda a produção de suas uvas para a elaboração da bebida, apontou pesquisa de mestrado realizada na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). A produção média anual de uvas no Estado é de 190 mil toneladas e destina-se, principalmente, para o consumo in natura.

Segundo a autora da pesquisa, a cientista dos alimentos Aline Camarão Telles Biasoto, a vinicultura além de oferecer uma alternativa para o produto agrícola, também seria uma oportunidade de promoção do crescimento do agronegócio no Estado. “A produção de vinho agrega valor à uva e poderia gerar renda para o pequeno produtor”, defende Aline.

Em seu estudo, orientado pelas professoras Maria Aparecida Azevedo Pereira da Silva e Flávia Maria Netto, a cientista dos alimentos realizou levantamento Aline Camarão Telles Biasoto inédito sobre a caracterização do processo de fabricação, de parâmetros físico-químicos, do perfil sensorial e da aceitação do vinho tinto de mesa produzido no Estado de São Paulo. Dez diferentes fabricantes, inclusive artesanais, das cidades de Jundiaí, São Roque, Itatiba, Vinhedo, Valinhos e Louveira, participaram da pesquisa com amostras de seus produtos. O levantamento de dados proporcionou a elaboração de um manual para iniciar a produção de vinho por parte de pequenos produtores.

Pelas conclusões do estudo, investir na implantação das Boas Práticas de Fabricação (BPF), conjunto de medidas que devem ser adotadas pela indústria de alimentos para obter qualidade do produto, seria uma forma de tornar o vinho paulista mais competitivo no mercado, além de garantir segurança à saúde do consumidor. Aline explica que as BPF não são obrigatórias para a vinicultura, mas consistem em uma importante ferramenta para alavancar a produção qualitativa.

Na etapa da análise sensorial, 12 julgadores selecionados e treinados possibilitaram traçar um perfil dos vinhos tintos de mesa produzidos no Estado. “Apesar de todas as amostras pertencerem a vinícolas distintas com processos de elaboração bem diferentes, o perfil sensorial foi semelhante quando o varietal de uva era o mesmo”, explica Aline.

Os graus de aceitação do vinho tinto de mesa paulista por parte dos consumidores foram descritos por 120 pessoas que avaliaram as amostras, levando em consideração a aparência, impressão global, aroma e sabor. Destacaram-se na preferência do consumidor um vinho elaborado com a uva Seibel 2 ou Corbina e vários contendo as uvas Bordô, o que significaria que esta última qualidade possui grande potencial para elaboração de vinhos tintos de mesa de qualidade. “Notas mais intensas de aromas e sabores furtados, aroma e gosto doce e aroma floral não cítrico, notadamente aroma de rosas foram apresentados para os vinhos elaborados a partir da uva Bordô”, revela.

A cientista dos alimentos lembra que o consumo de vinho no Brasil ainda é baixo, se comparado aos demais nações do Mercosul e aos países europeus tradicionais na produção da bebida. Enquanto nesses países o consumo é geralmente maior que 30 litros por ano por habitante, os brasileiros consomem apenas dois litros por habitante.

“O brasileiro não tem hábito de tomar vinho todos os dias, além disso, a bebida no Brasil ainda é relativamente cara e tem um forte concorrente, a cerveja. Entre outros motivos estes são fatores que contribuem para o baixo consumo da bebida. Assim, para que ocorra um incremento nesse consumo, os vinicultores brasileiros devem, primeiramente, investir na produção de vinhos de qualidade e com características sensoriais que a maioria da população aprecie”, conclui.

Fonte: Jornal da Unicamp

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Consumo de vinho cresce e estimula mercado baiano

A cada dia que passa, mais baianos aderem ao hábito da degustação do bom e velho vinho. Parece que a bebida de Baco (deus da mitologia grega) está realmente fazendo a cabeça, principalmente dos soteropolitanos. Uma prova disso é que, nos últimos três anos, o número de casas destinadas à venda do produto dobrou na capital. Hoje, Salvador conta com pelo menos oito grandes estabelecimentos que comercializam uma das bebidas preferidas, principalmente pela alta sociedade. E, segundo o crítico de vinhos André Freire de Carvalho, a Bahia é o estado com maior potencial de crescimento do mercado vinícola no Brasil.

Para ele, o comércio da bebida em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul está saturado e na terra de todos os santos muitas pessoas já desenvolveram a cultura de consumir pelo menos um cálice por dia. “Além disso, o mercado local está bem estruturado. Toda hora surge um novo restaurante que não abre mais as portas sem que tenha uma adega com grandes marcas. Isso só faz aumentar a venda da bebida”, afirma o crítico.

Segundo Freire, importadoras quadruplicaram o número de garrafas trazidas por ano para a Bahia. “Temos uma população jovem, criando novos gostos e com poder aquisitivo relativamente alto comparado a outros estados da região. Além disso, recebemos muitos turistas que tomam vinhos e acabam influenciando as pessoas locais a terem o mesmo hábito”, comenta Freire, ressaltando que Pernambuco e Amazonas também têm mercados que devem se expandir, por motivos equivalentes.

Número de clientes aumenta nas casas do ramo

Uma das casas de vinho que nasceram nos últimos três anos foi a Ana Import, que, segundo a gerente de marketing Mônica Maia, vem ganhando cada vez mais clientes. Maia conta que o banco de dados dos freqüentadores vem crescendo desde a abertura. Para ela, há um paradigma errôneo de que na Bahia não se consomem vinhos por causa do clima, “mas cada vez mais tem gente nos procurando para se informar sobre a bebida, comprar os produtos e se educar com relação ao paladar”, revela a gerente.

O consultor e enólogo Vevé Bragança também acredita que os baianos estão bebendo mais vinho – especialmente para melhorar a saúde – e que esse mercado tende a crescer. “Contudo é necessário haver maior incentivo para que as pessoas tenham essa cultura e saibam apreciar a bebida”, pondera. Bragança não crê que a Bahia seja o mercado com maior potencial do país. De acordo com o enólogo, o eixo Sul-Sudeste continua sendo o grande pólo para crescimento do mercado vinícola.

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