Arquivo de 27 de Maio de 2008

Governo proíbe Ambev de gravar nome em garrafas de cerveja

Fonte: LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

A SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça determinou nesta terça-feira a adoção de medida preventiva proibindo a Ambev de vender cerveja em garrafas de 630 ml com o nome da marca gravado. O padrão usado pelo mercado é garrafa de 600 ml.

A secretaria instaurou ainda processo administrativo contra a Ambev –responsável por marcas como Skol, Brahma e Antarctica– para investigar se houve infração à ordem econômica por parte da empresa decorrente da venda de cerveja em garrafas personalizadas.

De acordo com a secretaria, há “indícios suficientes à instauração” do processo e “iminência de dano irreparável ou de difícil reparação à concorrência no mercado de cerveja”, por isso a adoção de medida preventiva.

O órgão deu dez dias para que a Ambev pare de envasar cerveja nas garrafas irregulares. A medida determina ainda que, em até três meses, a Ambev recolha os vasilhames e que, até que todas as garrafas sejam recolhidas, a empresa coloque à disposição dos concorrentes um número de fax para que eles possam solicitar a troca das garrafas por embalagens comuns.

Caso a Ambev desobedeça as determinações da SDE, será multada em R$ 100 mil por dia. Procurada, a Ambev ainda não retornou.

A investigação da SDE foi feita depois de denúncia da Kaiser e da Cervejaria Imperial, além da Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas) e Afebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil. As concorrentes alegam que a garrafa personalizada dará vantagens à Ambev já que 70% das garrafas de cerveja e refrigerante em circulação pertence à companhia. Como as garrafas são retornáveis, se o nome da Ambev for gravado na garrafa, as outras marcas não poderão usá-las.

Além de gravar em alto-relevo a marca Ambev na parte superior da garrafa e “Qualidade Ambev” na parte inferior, a empresa utiliza garrafas de 630 ml, acima do padrão de 600 ml usado por todas as marcas.

Outro lado

A Ambev contestou a nota da SDE e informou que vai recorrer da decisão. Segundo a empresa, a SDE reconhece que o uso de garrafas distintas é um direito de qualquer empresa e não se constitui em problema sob o ponto de vista do direito econômico. Entretanto, informa a Ambev, “ao contrário do que afirma a SDE, as garrafas em questão (AmBev 630ml e Sindicerv 600ml) são absolutamente distintas, sendo que a única semelhança é a cor âmbar, que não poderia ser alterada sob risco de alteração de sabor do produto Skol.”

A empresa também informou que é possível separar as garrafas na linha de produção por meio de inspetor eletrônico utilizado por toda a indústria e que “não há prova concreta sobre o alegado aumento desproporcional do custo de separação das garrafas de 630ml.”

“Mais do que discordar das conclusões da SDE, a AmBev ressalta que a nota técnica se funda em muitas especulações, distantes da realidade e sem qualquer comprovação. A nota técnica não traz, por exemplo, qualquer prova concreta sobre o alegado aumento desproporcional do custo de separação das garrafas de 630. Trata-se de omissões relevantes, em claro prejuízo legal à empresa, especialmente considerando a gravidade da medida preventiva proposta pela SDE”, alegou.

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Proposta da InBev pode estragar festa no mercado mexicano

(Por Chris Aspin)
(Reuters)

MÉXICO (Reuters) - A proposta de 46 bilhões de dólares da cervejaria belga InBev pela gigante norte-americana Anheuser-Busch vai mexer como acomodado duopólio existente no mercado de cerveja mexicano.

A Modelo, fabricante da cerveja Corona, e a Femsa, fabricante da Dos Equis, vendem aproximadamente 98 por cento de toda cerveja no México e ambas enfrentarão mudanças significativas se a aquisição for adiante.

A Anheuser-Busch detém 50 por cento da Modelo, a sétima maior cervejaria do mundo com valor de mercado de 16 bilhões de dólares. Isso significa que qualquer aquisição da fabricante da Budweiser envolveria diretamente a empresa mexicana.

Os dois cenários mais prováveis, dizem analistas, são que a Modelo receba com satisfação a proposta da InBev, oferecendo assentos no conselho de administração, ou que rechace a oferta, por meio da sugestão de recompra da participação da Anheuser-Busch.

Uma recompra não é impossível, pois a Modelo está livre de dívidas e conta com pelo menos 1 bilhão de dólares em dinheiro.

“É totalmente possível”, disse Francisco Guzman, analista de mercados de bebidas da Scotiabank, referindo-se a uma recompra que poderia tornar a estrutura de capital da Modelo mais eficiente.

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