Vendas de espumantes deve aumentar 8%

São Paulo, 1 de Novembro de 2007

Só no Rio Grande do Sul, produção deve chegar a 8,5 milhões de litros. Serão 20 milhões no total. Apesar do esforço dos fabricantes e importadores em popularizar o consumo das bebidas ao longo do ano, as vendas de Natal e Reveillon ainda concentram até 60% do total comercializado de espumantes e champanhe nos últimos meses do ano. Em 2007, quando as vendas da categoria devem crescer 8%, alcançando 20,4 milhões de litros. Este ano, os brasileiros deverão encontrar a bebida francesa pelo mesmo preço do ano passado. Graças ao câmbio o País não deverá ter o repasse de 10% no valor da champanhe que está sendo praticado em outros mercados.

A produção de champanhe - concentrada em uma área de 33 mil hectares na França - não tem atendido a demanda mundial, que cresce principalmente por conta da China, Índia, Rússia, África do Sul, Nigéria e Dubai, explicou Davide Marcowitch, presidente do grupo LVMH, que comercializa os champanhes importadas Moët Chandon e Veuve Clicquot e produz o espumante nacional Chandon no Brasil.
“Com esses seis grandes mercados crescendo, a produção chegou ao limite”, explicou. “O Brasil é o único país que não vai sentir o aumento do custo do champanhe por conta da valorização do real”, disse.

O LVMH pretende comercializar 265 mil garrafas do Veuve Clicquot este ano, ante as 250 mil de 2006, e 200 mil garrafas da Moët Chandon. No ano passado foram 189 mil.

Do espumante Chandon, Marcowitch afirmou que as vendas devem alcançar 2 milhões de garrafas, ante as 1,89 milhão do ano passado. A bebida nacional terá um reajuste maior que a importada. O executivo afirmou que o espumante deve chegar aos pontos-de-venda a R$ 38, ante os R$ 35 de 2006.

“Enquanto o consumo cresce, a produção não consegue acompanhar”, concordou Felipe Assis, gerente de vinhos da Pernod Ricard no Brasil, que importa o champagne Mumm Cordon Rouge Brut, marca oficial dos grande prêmios de Fórmula 1, e o espumante argentino Mumm Cuvée Speciale. A Pernod Ricard espera vender 50% mais do espumante e até 60% mais do champanhe nesta temporada. Ele afirmou que os custos ficaram até 10% maiores este ano, mas a empresa não irá repassar aos consumidores por conta da valorização do real em relação ao dólar.

Tanto os espumantes como o champanhe fazem parte da divisão de vinhos da companhia, que no Brasil deve representar 20% em volume este ano, ante os 15% do ano passado. Da divisão, a categoria representa 12%.

Somados aos frisantes, as vendas dos dois segmentos devem representar 30% em volume do que é comercializado pela companhia no Brasil. Em 2006 foi 15% do total. A empresa fechou o último ano fiscal, em junho, com produção de 7 milhões de caixas e cresceu, em volume, 11% no primeiro trimestre.

Produção nacional

Para Marcowitch, do LVHM, essa saturação da produção do champanhe original pode significar um bom momento para o Brasil se destacar com os espumantes fabricados localmente, principalmente no Rio Grande do Sul. Segundo o executivo, o Brasil deve aceitar que os melhores vinhos estão na Argentina e no Chile e focar na produção de espumantes, que está em alta.

“Nós não exportamos porquê não conseguimos atender a demanda interna”, disse.

Para conseguir alavancar esse mercado, Marcowitch contou que a empresa vem trabalhando para implementar a “cultura do espumante” no Brasil. Atualmente, a produção de chandon está em 2 milhões de garrafas por ano, no entanto, a empresa pode ampliar a produção até 4 milhões de garrafas, contou o executivo.

A Pernod Ricard também produz o seu frisante Sunny Days no Rio Grande do Sul, na cidade de Santana do livramento. Segundo Assis, a empresa também pode ampliar sua capacidade de produção. “Temos o maior vinhedo em área contínua da América Latina, isso nos permite aumentar a produção”, explicou.

Só no Rio Grande do Sul, a produção de espumantes totalizou 3,5 milhões de litros até setembro deste ano, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo Darci Dani, membro do conselho do Instituto Brasileiro do Vinho.
Se confirmado o crescimento esperado, as vendas dos espumantes fabricados pelo estado devem alcançar 8,5 milhões de litros este ano. Em 2006 foram 7,5 milhões de litros. De acordo com dados do International Wine Spirit Research (IWSR), em 2006 foram importados 50 mil caixas do champanhe, o que representa 450 mil litros.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Wilson Gotardello Filho)

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